quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Lamentação e revolta em reintegração de posse no bairro da Santa Cruz


“Minha filha me perguntou por que estavam derrubando a nossa casa, tive que falar que era para reformar. Isso doeu muito”. O relato desolado é da moradora Rosinete Oliveira, que viu sua casa ser derrubada durante a reintegração de posse na ocupação Vila Gardeninha no bairro da Santa Cruz, na manhã dessa quinta-feira, 19.

A reintegração, a segunda em dois dias na Grande São Luis, foi feita depois que o Oficial de Justiça Bráulio Fernandes de Sá Magalhães fez cumprir uma liminar expedida pelo Juiz da 8ª vara cível, Luis Gonzaga Almeida Filho, determinando a retirada de todos os moradores e a derrubada das casas.

A primeira reintegração de posse aconteceu na manhã da última quarta-feira, uma Vila Bob Kennedy, em Paço do Lumiar. Depois de muita confusão, revolta e pancadaria entre moradores e policiais, as casas de 76 famílias foram derrubadas.

A liminar que determinava a derrubada das casas da Vila Gardeninha afirma que o terreno, localizado por trás da garagem da empresa de ônibus Gonçalves, é de propriedade da empresária Soraia Cristina Ferreira Gonçalves, filha do dono da empresa.

Um total de 44 famílias ocupam o terreno há sete meses. Eles mostraram à equipe de reportagem do Aqui-Ma, um documento da Secretaria Municipal e Urbanismo e Habitação (Semurh) informando que o terreno em questão é de propriedade ignorada, ou seja, não se conhece o proprietário. Ainda não se sabe se o documento apresentado tem valor legal ou não.

“Queremos que a senhora Soraia Gonçalves prove que é dona desse terreno. Se ela provar, a gente sai”, afirmou a moradora Francineide Alves, de 31 anos.

Francineide informou ainda que antes dos moradores ocuparem a área, o local servia apenas para assaltantes e consumidores de drogas esconderem-se.

Mesmo em meio às lágrimas e revolta dos moradores, um trator iniciou a derrubada das casas por volta das 9:30h da manhã.

Durante a ação, alguns moradores indignados, lamentavam-se e afirmavam ser mais do que casas que estavam sendo destruídos, eram os sonhos e o trabalho de muitas famílias.

“Só de pensar que quando meus filhos chegarem da escola vão ver a nossa casa no chão, me parte o coração”, lamentou uma moradora.

O Juiz de Conciliação Eduardo Bruno, esteve no local e apresentou-se como representante das famílias. Ele informou que as providências a serem tomadas agora será conseguir um advogado para tentar derrubar a liminar e reaver a posse do terreno para os moradores.

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